
As mudanças climáticas seguem pressionando a vitivinicultura mundial e ampliando a busca por soluções capazes de reduzir perdas, preservar qualidade e aumentar a resiliência dos vinhedos. Nesse cenário, a italiana VasonGroup apresentou ao mercado o X-PLANT®, um novo projeto voltado à bioestimulação natural da videira.
A tecnologia, que já começou a ser difundida na Europa e na América Latina, foi desenvolvida a partir de pesquisas conduzidas nos últimos anos em diferentes regiões vitivinícolas italianas e internacionais. Segundo a empresa, o objetivo é atuar diretamente na vinha para melhorar o equilíbrio de maturação das uvas, preservar compostos aromáticos e fenólicos e aumentar a resistência das plantas diante de eventos climáticos extremos.
O projeto surge em um momento em que ondas de calor, estiagens prolongadas, excesso de chuvas e granizo têm provocado desequilíbrios cada vez mais frequentes entre maturação tecnológica e maturação aromática ou fenólica das uvas, um dos principais desafios atuais da viticultura mundial.
Nas variedades brancas, o calor excessivo acelera a degradação da acidez e reduz compostos ligados ao potencial aromático. Já nas tintas, o aumento das temperaturas e os estresses climáticos comprometem a maturação fenólica, a integridade sanitária e a estabilidade da produção.
Segundo Andrea Miceli, representante da VasonGroup, o X-PLANT® atua como um estimulador natural da planta.
“O produto estimula a videira e faz com que ela fique mais saudável. Nas tintas, proporciona maior maturação fenólica, mais cor, maior espessura de casca e mais resistência à botrytis. Nos brancos, aumenta o potencial aromático e também melhora a resistência da planta”, explicou durante apresentação ao setor.
A tecnologia é baseada em derivados específicos de leveduras inativadas obtidas por um processo patenteado da VasonGroup, desenvolvido para preservar moléculas biologicamente ativas presentes nas células das leveduras, como aminoácidos, proteínas, peptídeos e polissacarídeos.
Segundo a empresa, esses compostos atuam diretamente na estimulação dos processos fisiológicos da videira, favorecendo respostas metabólicas ligadas à maturação, integridade sanitária e formação de compostos aromáticos.
Mais de 40 ensaios de campo foram conduzidos em diferentes terroirs, condições pedoclimáticas e variedades internacionais e autóctones. A linha foi dividida em duas soluções específicas: X-PLANT® WHITE, voltado às uvas brancas, e X-PLANT® RED, desenvolvido para uvas tintas.
Entre os estudos já realizados, um dos destaques envolve experimentações em Sauvignon Blanc na região do Collio, na Itália, entre 2023 e 2024. A pesquisa avaliou o impacto do X-PLANT® White sobre o acúmulo de precursores tiolicos — compostos fundamentais para aromas varietais ligados a frutas tropicais, maracujá, grapefruit e notas vegetais características da cultivar.
Os resultados apontaram aumento significativo nos precursores aromáticos ligados ao 3-mercaptohexanol, molécula considerada uma das mais importantes para a tipicidade aromática do Sauvignon Blanc. Em uma das safras avaliadas, o incremento total dos precursores tiolicos chegou a 40% em relação às áreas não tratadas.
Segundo os pesquisadores, o bioestimulante permitiu preservar e ampliar compostos aromáticos sem alterar de forma negativa os parâmetros de maturação tecnológica das uvas, como açúcar, pH e acidez.
O estudo também observou tendência de melhora no equilíbrio ácido e no conteúdo de nitrogênio assimilável pelas leveduras, fator relevante para fermentações mais equilibradas.
Para a VasonGroup, atuar diretamente na vinha tende a se tornar cada vez mais estratégico diante das transformações climáticas que impactam o setor.
“O desafio hoje é colher uvas equilibradas. O clima mudou e precisamos encontrar ferramentas para proteger qualidade, aromas e identidade dos vinhos”, afirmou Andrea Miceli.
Segundo ele, os resultados visuais observados nos vinhedos europeus chamaram atenção nos últimos anos.
“Já existem testes há cinco anos na Itália com mais de 50 empresas. A diferença visual entre áreas tratadas e não tratadas é muito grande”, destaca.
O representante da Vason afirma ainda que o produto possui aplicação simples no vinhedo, podendo ser utilizado junto a fungicidas e outros manejos agrícolas. As aplicações são feitas via foliar em momentos estratégicos da videira, principalmente próximos à mudança de cor das bagas.
Apesar de já consolidado em experimentações europeias, o X-PLANT® ainda inicia sua fase de validação em vinhedos brasileiros. Segundo Andrea Miceli, os primeiros testes no país devem começar neste ano, incluindo variedades cultivadas em regiões vitivinícolas nacionais.
A chegada da tecnologia ocorre em um momento de preocupação crescente da cadeia produtiva da uva e do vinho com os impactos climáticos sobre produtividade, sanidade e qualidade das safras.
Nos últimos anos, eventos extremos como granizo, excesso de chuvas e ondas de calor passaram a desafiar diferentes regiões vitivinícolas brasileiras, ampliando o interesse do setor por soluções ligadas à bioestimulação, proteção vegetal e adaptação climática.
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